À Primeira Vista

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Sabe o que me deixa mais fula com o Tio Nick? É que ele ainda consegue nos encantar com os mesmos ingredientes de sempre… Foi o que aconteceu com À Primeira Vista.

A sinopse é interessante, fato. Fala de amor, daquele verdadeiro. Fala de confiança, daquela que se conquista com o tempo e muito diálogo. Fala de todas as incertezas que um casal passa no começo de qualquer relacionamento. Das dúvidas. Das frustrações ao descobrir que nem você ou a pessoa amada são perfeitos… na verdade, que ninguém é perfeito!

Confesso que, no começo, a narrativa estava me cansando. Estava pensando que seria mais um daqueles romances água com açúcar e só. Sem nenhuma novidade. Sem nada que me prendesse e me fizesse terminar aquela história. Mas, graças a Deus, Nicholas Sparks consegue sempre nos surpreender. E não foi diferente dessa vez.

Seguindo o seu padrão casal apaixonado – crise – tragédia – final feliz, em À Primeira Vista ele consegue nos fazer sentir todas as emoções de um começo e de um recomeço. Ele consegue nos fazer refletir sobre confiança e sobre a importância desse adjetivo em qualquer relação, seja de amor ou de amizade. Quando se deixa de confiar em alguém, sabemos que recuperar a credibilidade com o outro é bem mais complicado do que conquistar. Ambas requerem trabalho. Há esforço envolvido. Mas, convenhamos, é muito mais difícil reconquistar, mostrar que mudou e que se arrependeu, não?

Além dessa questão, outro ponto que me chamou a atenção e que sempre está presente nos livros de Sparks é o enaltecimento ao amor verdadeiro. Através de toda a reviravolta na vida do casal protagonista, Jeremy e Lexie, seja em relação à mudança dele para uma cidade pequena, onde todo mundo sabe da vida de todo mundo; seja em relação à chegada de um bebê, inesperado mas já muito amado; seja em relação à construção de um relacionamento, que implica ceder, pedir perdão quando necessário e servir em amor, deixando de se preocupar consigo para pensar em abençoar o outro; o autor nos dá muito para refletir.

Se começamos o livro achando rápida demais a história de amor entre Jeremy e Lexie, terminamos com a certeza de que é possível sim, se apaixonar à primeira vista. Terminamos com a certeza de que, quando Deus nos destina a uma pessoa, não importa o que façamos ou o que outros façam para atrapalhar, ficaremos com aquela pessoa pelo tempo que for, como já dizia o poeta Vinicius de Moraes em seu Soneto de Fidelidade: “que seja infinito enquanto dure“!

Uma das personagens que mais me cativaram e que me fizeram entender a linda e turbulenta história de amor de Jer e Lex, foi a avó dela, Doris. Considerada adivinha pelo povo da cidade por acertar sempre o sexo dos bebês logo a gravidez comece, ela é chave essencial no desenrolar da trama de desconfiança que surge entre os protagonistas. Além de adivinha, ela me cativou por suas sábias e ricas palavras ao longo do romance, me fazendo suspirar, me fazendo chorar, me fazendo ter esperanças de que o mundo ainda pode ser um lugar melhor, de amor e amizade, sem suspeitas erradas e sem desonestidade.

A vida de Jeremy e Lexie não foi fácil. Ambos passaram por situações delicadas e que moldaram quem eles se tornaram. Assim é com a gente também. Somos moldados por nossas experiências e por aquelas que vimos/vemos nossos pais passarem. Somos moldados por nossa cultura e por aquilo que a mídia, sorrateiramente, impregna em nossas mentes. Mas com amor e cercados das pessoas que verdadeiramente nos amam, somos capazes de lutar e mudar. Somos capazes de acreditar sem dúvidas. Somos capazes de nos entregar de corpo e alma a outrem. Somos capazes de nos apaixonar à primeira vista.

Portanto, dê uma chance ao amor verdadeiro, aquele sem restrições, sem desconfianças, sem medos e culpas, aquele que amadurece e cresce com o tempo, como se fosse uma plantinha sendo regada diariamente em um jardim. Afinal, o amor é exatamente assim. Pode aparecer sem avisar, mas não é por acaso que finca sua raiz em nossos corações. Tudo na vida tem um propósito. Inclusive o amor.

** Recomendo que leiam o livro com uma música de fundo que me inspirou ao escrever a resenha: Because You Loved Me – Celine Dion.

 

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