Adeus aos personagens de John Green

Houve um período em que fui extremamente fã de John Green. Não, eu não sabia o nome de sua esposa, local de nascimento, formação, data de criação do canal com seu irmão e outras milhares de informações que um fã pode saber sobre o autor, mas apenas gostava de sua escrita relativamente nerd e como seus personagens pareciam longe dos seus locais habituais, nada estereotipados como quietos – apesar de alguns serem descritos assim – como se sua aparência o afastassem de qualquer garota e extremamente reclusos da sociedade. Vê-lo rompendo com essa ideia de ser nerd e criando uma nova formulação, personagens que se identificam conosco – apesar de suas loucuras – foi o meu estopim para aderir os quatro livros do autor.

Sim, na minha estante haviam quatro livros, mas que com o sumiço de Cidade de Papel – o que mais gostava e logo saberão os motivos – se transformaram em três. Com o passar da febre de John Green e maturidade surgindo em mim, comecei a analisar os meus livros na estante com a intenção de trocá-los e amadurecer meus conteúdos e em toda analise sobre os livros do autor americano chega-se uma conclusão: Seus personagens são dependentes emocionais. E isso é motivo suficiente para declarar um adeus aos personagens do John Green.

Dependentes emocionais? Sim. Desde Miles, Quetin até Colin, todos são dependentes emocionais e relacionamentos significam seus pontos fracos. Nenhum deles são capazes de compreender até que ponto um relacionamento é saudável ou não. Ou até quando devem se aventurar por x menina. Nenhum desses três nerds conseguem enxergar felicidade fora de um relacionamento, pois dependente exclusivamente de seus pares românticos para existirem.

John 001

Vamos começar analisando a situação por Colin, personagem do livro O Teorema Katherine. Colin é um rapaz surpreendentemente inteligente que tem por amigo Hassan e uma van peculiar chamada Satã. O livro se baseia na busca desenfreada de Colin compreender como 19 Katherines puderam terminar com ele – vamos assinalar isto como base da argumentação da dependência emocional de Colin. O livro que deveria ser divertido – ainda lembro de revirar os olhos – é preenchido com notas de rodapés com as explicações dos cálculos de Colin para compreender qual foi o GRANDE PORQUE do término. Mesmo quando o personagem conhece alguém, ele continua fazendo cálculos para saber o momento exato que a garota vão terminar.

Em Quem é Você Alasca, Miles gosta de saber as últimas palavras proferidas por alguém antes de morrer. Podemos dizer que isto é sua fissuração, bem mais do que ir para um colégio de Elite. A mudança de comportamento de Miles – de um jovem clássico nerd – surge com os amigos de Alasca Young, uma garota completamente fora do padrão. Miles não é apenas dependente de Alasca, mas mantém uma ligação como stalker – Sorry Miles – e fascinação. A liberdade de Alasca o fascina e o faz querer experimentar todas as coisas com ela, o que faz com que o mesmo venha se perder em seu universo – sendo de camadas de roupas que os separam ou os dos últimos momentos da personagem enquanto estava presente em sua vida. Quetin de Cidade de Papel não é diferente dos outros dois personagens, porém, sua diferença é que o mesmo fora usado/movido pela paixão secreta que nutria por Margo – sua vizinha – para fazer suas vontades e ao mesmo tempo persegui-la através da sua incrível frase sobre nós sermos de papeis.

O que ambos os personagens mantêm em comum? A dependência emocional, a fascinação e a capacidade de ir ao extremo, mesmo que isto signifique se magoar de forma tão intensa. Depender de alguém emocionalmente não faz bem. É como se o grande relógio que cronometra nossa vida estivesse estacionado. Não somos capazes de respirar, de retomarmos nossa rotina sem a autorização da pessoa e por quanto tempo somos capazes de ficarmos assim? Quetin em sua dependência foi atrás de Margo, apesar de suas dicas, isto não significava construir um relacionamento, o que para nós, que ficamos romantizando sua dependência fora um choque. Entretanto, quando penso em critérios de dependência emocional o maior fora de Miles. Sua fissuração por palavras e por Alasca, o levaram quase envolver um amigo em um acidente para compreender o que se passava na cabeça da jovem. Dependência emocional é se esquecer de si mesmo e do mundo que lhe cerca. Dependência emocional faz mal e leva fim de relacionamentos, como no caso de Colin.

Não Dá para simplesmente ficar prolongando certas coisas para sempre. Chega um momento em que o melhor a fazer é arrancar o Band-Aid. Isso dói, mas depois passa, e então vem o alívio. p.15 – Quem é Você Alasca.

Um autor que outrora amava suas citações – apesar de gostar das falas da Margo sobre os valores da sociedade atual estar no papel – hoje, após estar mais madura, compreendo certos panos de fundos que os personagens nos transmitem e que nós anteriormente não ligávamos ou apenas classificamos em nossas resenhas no skoob como algo desgastante durante a leitura. Por esse motivo, estou dando adeus aos personagens dos John Green.

Sobre o autor

Debora Queiroz
Debora Queiroz

Cristã-protestante, futura historiadora e saxofonista.

3 comentários

Deixe um comentário =)
  • Oi Debora,
    Amei seu texto, em parte porque nunca gostei do John Green, o que já gerou várias discussões com meus amigos que são apaixonados pelo autor. Outro motivo que me fez gostar da sua reflexão é que você tocou bem no cerne da dependência emocional dos personagens. Como todos possuem o mesmo problema parece que todos são iguais. Não importa o tema os personagens de Green são tudo faria do mesmo saco, ou como disse a Carol no comentário acima “segue sempre a mesma formula”.
    Abraços

    • Sim! Muda-se o contexto da história, mas o núcleo do personagem não é mudado. Acredito que os personagens do John Green são sem sal, sempre a mesma coisa, porém, antes fazia parte do mesmo clube que seus amigos apaixonados pelo autor. Acredito que depois de lançarmos um olhar amadurecido sobre o história do autor acabamos explorando outras coisas.

  • Oi Debora,
    Que texto maravilhoso menina! Uma análise muito bem feita. Eu só li um livro do autor que foi ACEDE, depois nem li os outros. Só vi o filme de Cidades de papel, mas partindo da sua análise assino embaixo. hahaha. Esperar que o próximo livro que o autor esteja escrevendo não tenha essa dependência. E bem que ele podia mudar de ares, sei que seus livros são voltados para os adolescentes, mas não sei, segue sempre a mesma formula.
    Beijos de luz!

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