Campanha Dublin Street de Conscientização

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Em algum momento de sua vida, você já ouviu falar sobre Depressão ou, até mesmo, precisou lidar com ela ou com uma pessoa em estado depressivo?

Muitos não acreditam, mas a Depressão é uma doença que, quando não tratada, pode levar a pessoa à loucura. Samantha Young cria no universo de Dublin Street, uma personagem que sabe o quanto a Depressão e a Síndrome do Pânico podem ser prejudiciais.

Campanha-Dublin-Street

Quando a Editora LeYa me convidou para participar dessa campanha, eu confesso que fiquei meio receosa. Inclusive, pedi para a Débora, colunista aqui no blog, para escrever o post. Mas, depois de pensar sobre o assunto, resolvi dar a cara a tapa e dividir com vocês um pouquinho da minha “experiência” com essa doença, que pode nos atingir de inúmeras formas e níveis, quando menos esperamos.

Em 2005, como aqueles que acompanham o blog há mais tempo sabem, perdi minha mãe. Ela foi atropelada em frente à nossa casa, enquanto atravessava a rua com o sinal fechado. Um louco, às 18h, veio a toda velocidade em uma rua de movimento, principalmente de crianças saindo da escola nesse horário. Minha mãe foi a “escolhida” da vez. Foi muito intenso, todo o processo de recuperação. Foram cirurgias e mais cirurgias, noites muito mal dormidas… sem contar a incapacidade de se locomover (minha mãe teve múltiplas fraturas nas duas pernas, o que os médicos chamam de polifraturas).

Quando eu e minha família julgávamos que as coisas estavam melhorando, a vida veio e nos deu aquele golpe, uma semana depois do meu aniversário de 20 anos. Pode até parecer bobagem para alguns, mas eu era, de certa forma, mimada e filhinha da mamãe e do papai. Não sabia nem cozinhar um ovo! Então, imaginem o trauma que já foi ter que aprender a cuidar de uma casa e um negócio (que ela e meu pai tocavam)? Agora, imagina o trauma maior que foi ver sua mãe enfartar na sua cama e você não conseguir fazer nada para impedir que ela partisse? Mas, pior ainda, foi ter que assumir a família, o negócio, os problemas advindos do falecimento dela e não ter tempo de chorar, de sentir a perda? “Luto pra quê?”

Aprendi e amadureci MUITO com o falecimento dela. Porém, no começo, foi horrível. Eu vivia pra minha família (meu pai e meus irmãos), fazia tudo por e para eles. Deixei meu relacionamento recente meio que de lado – aliás, sou eternamente grata ao meu marido por ter ficado durante todo esse tempo comigo, por ter lutado as minhas batalhas quando era mais fácil fugir, por ter me ajudado a superar a dor da perda e a depressão. Cada pessoa sente de uma maneira. Eu tive muitos altos e baixos. Chorava demais. Me culpava pela morte da minha mãe. Me sentia incapaz. Eu devia ter ido com ela ao shopping, mas estava fazendo um trabalho pra faculdade…

Por muito tempo, eu carreguei o peso da perda dela. Tive momentos bem intensos, onde quase tirei minha vida. Não fosse o Igor, meu marido, não sei se estaria aqui hoje. A depressão mexe muito com a gente. Nos desestabiliza, tira o chão, nos cega em determinados momentos. Além da culpa, tive que lidar com muita pressão. Minha família e meus parentes me cobravam demais. Sei que eles não fizeram por mal. Hoje acredito que eles só queriam me ajudar a crescer. Mas, na época, era duro.

Graças a Deus, consegui superar a depressão. Voltei a acreditar que Ele existia. Aliás, acho que teria surtado novamente agora, quando perdi meu pai. Ele era tudo para mim e meus irmãos. Era a nossa “cola”. A pessoa mais importante pra cada um de nós, marcante pra todos que tiveram a oportunidade de conhecer esse grande homem. Sei que ele viveu intensamente e morreu fazendo o que gostava: trabalhando, ativo, feliz. Algumas pessoas me perguntam como eu consegui voltar ao trabalho, como eu consegui voltar a postar…

Não tem segredo. Não pra mim. Eu me agarrei no que eu acredito, na esperança do reencontro, na promessa de Deus em sua Palavra. Não é fácil, mas se a gente se esforça um pouquinho para estar agradecido e ver todas as coisas boas que aconteceram, a dor fica menorzinha. A saudade e a lembrança dos momentos que vivemos, dos ensinamentos que tivemos… é o que vai permanecer e ser passado adiante.

Como eu disse, a doença atinge cada um de uma maneira e com uma intensidade diferente. Mas, se mesmo diante da tempestade, tentarmos ficar positivos e agradecidos, as coisas vão ser um pouquinho menos difíceis e, com a ajuda da família e dos amigos, vamos superar essa doença ou qualquer outra que venha a tentar nos dominar.

Me perdoem se falei ou me expus demais. Depressão é assunto sério e que precisa ser tratado. Contudo, o apoio daqueles que amamos é sempre o melhor remédio, assim como a fé e a esperança.

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