• Twitter
  • Facebook
  • Google+

Qual foi a ultima carta que você mandou para alguém?

É estranho pensar que em um mundo cada vez mais tecnológico, as cartas ainda desempenham um papel importante. (um estranho bom.)

Eu mesmo parei um pouco de escrever cartas. Primeiro, porque não recebo mais, e segundo, por não ter para quem escrever. Mas, sempre que surge uma oportunidade eu escrevo, nem que seja uma folha. O que é meio difícil, dependendo, depois que se começa a escrever é difícil parar.

Acredito que o legal de uma carta é você ver a letra da pessoa, ler coisas que ela dedicou apenas para você: tempo, fatos e confiança. Cartas tornam tudo mais tangível.

Os dois últimos livros que eu li sobre cartas foram “As vantagens de ser invisível” e “Joana e Mauricio”, ambos ótimos livros. “As vantagens de ser invisível” foi tão bom que perdi a conta de quantos eu comprei e quantas vezes eu emprestei. Quando surgiu a oportunidade de ler “Carta de amor aos mortos” as expectativas estavam bem altas.

Só imaginei mesmo, porque no fim, acabei decepcionado.
Você acaba se sentindo estranho quando todo mundo gosta de um livro… menos você. Por sorte, conheci outras pessoas que se decepcionaram um pouco com a leitura também e isso fez eu me sentir menos estranho.

Tecnicamente o livro é muito bom. Isso eu não posso negar. Muito bem escrito, diagramado, capa convidativa e sinopse bem elaborada. Como sei das dificuldades de se criar um livro, seria injusto criticar o conteúdo do livro e não reconhecer sua qualidade técnica. Mas, infelizmente, não é (só) de qualidade técnica que vive (se faz) um livro. Uma boa história cativa até mesmo (quando e se) escrita no papel higiênico.

Claro que gostei de algumas partes. Algumas cenas foram muito boas isoladamente, mas no geral me decepcionei muito com o andamento das coisas. A começar que o livro foi apoiado pelo criador de “As vantagens de ser invisível”. O que trouxe uma expectativa enorme. Se o autor do livro que você gostou/gosta muito, recomenda algo, logo você se sente mais confortável e interessado pelo livro. É uma jogada de marketing justa e válida. Pena que pareceu superficial demais, parece que ele foi forçado ou eles são muito amigos (o que deixa um pouco a entender nos agradecimentos).
O que senti de fato foi que “Cartas de amor aos mortos” é uma cópia de “As vantagens de ser invisível”. Não uma cópia exata ou parecida e etc. É como se a autora tivesse pegado a essência do livro e colocado numa nova roupa. Uma roupa muito ruim por sinal.

Algo como: “Hummm, vamos ver. Em as vantagens de ser invisível ele foi torturado pelo alienígena; então, no meu livro, a personagem será torturada por índios canibais o/”.

A estrutura em cartas não convenceu muito. A personagem parece que narra mais do que escreve, e isso me incomodou. (acredito que o livro teria sido mais honesto se fosse uma narrativa). Eu nunca fiz e nunca vi alguém descrever enormes diálogos por carta. Geralmente, somos sucintos, tais como nos livros que citei inicialmente.

A história evoca temas importantes, mas se perde ao construí-la de forma trivial. Como a personagem que me assustou mais do que cativou. Sua inércia perante a vida chegou a ser irritante.

Será que existe pessoas assim? Infelizmente sim.
Se existe pessoas assim, não é legal escrever sobre pessoas assim? Sim, é legal, mas da forma como foi feito, volto a repetir, não ficou bom, em minha opinião.

De forma resumida, eu achei o livro forçado, cheio de sentimentos jogados no ventilador e enfiados goela abaixo.

 

cartas1-5B1-5D

 

O que é “cheio de sentimentos jogados no ventilador?” Bom, eu acredito que em um livro, “como é contado” é mais importante que “o que é contado”. Texto bonito demais, é só um texto bonito demais, se ele não se situa bem na história, se não envolve o leitor, ferrou tudo.

Obs.: Se você gostou muito do livro “As vantagens de ser invisível” não leia esse. Embora sejam bem diferentes, pode ser que ocorra com você o mesmo que aconteceu comigo.

Por fim essa é minha opinião, como disse: muitas pessoas gostaram do livro, pode ser que você goste também. E qual foi a última carta que você escreveu e/ou recebeu?

 

 

3 Answers

  1. Desirée Soares
    27/09/2015 at 19:17

    “Sua inércia perante a vida chegou a ser irritante.” Disse tudo! Eu gostei bastante do livro, mas a personagem principal é uma chatinha, senhor…
    Se o livro não fosse em formato de carta e nem em primeira pessoa, talvez ela fosse mais tragável, mas a menina é uma máquina de mimimi ambulante haha
    Ainda assim, pretendo reler o livro no futuro XD
    Muito boa a resenha 🙂

  2. Sthefany
    19/08/2015 at 23:51

    Concordo com tudo o que você disse, gostei do livro apesar de tudo mas desde o começo até o fim eu senti que é uma cópia mesmo por isso me decepcionei muito com a leitura apear de ter voado pelo livro e ter gostado dele As vantagens de ser invisível é um dos meus livros prediletos então não da pra ignorar o fato de ser tão semelhante desde os personagens até os acontecimentos no decorrer do livro, fora que o drama é o mesmo, li muitas resenhas e fiquei impressionada porque as pessoas não estavam falando do fato de o livro ser muito parecido com as vantagens… Enfim adorei sua resenha

    1. Bruno Luiz Mattos Oliveira Bruno Luiz Mattos Oliveira
      24/08/2015 at 18:31

      Eu li muitas resenhas positivas e negativas. Cada um se apega ao lado que achar melhor, mas como formador de opinião, acho importante ter esse olhar critico para avaliar de forma verdadeira algo. Fora que tem tantos blogues puxa saco por ai hahahaha. Obrigado pelo comentário.

Leave a Reply

Your email address will not be published.
Required fields are marked *