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Em Charlotte Street, escrito por Danny Wallace, somos apresentados ao personagem Jason Priestley. Certo dia ele estava em uma Rua em Londres, chamada Charlotte Street, e vê uma garota apressada cheia de sacolas, mal conseguia carregar todas e tentava entrar em um táxi, o motorista se mostrava estar com pressa e ser impaciente então Jason a ajuda. Logo há aquela pequena conexão entre os dois. Ela entra no táxi, e segue seu rumo.
Ao olhar para suas mãos Jason percebe que está com algo que pertence à garota, uma câmera descartável, ele pensa em sair correndo atrás do táxi, mas mesmo assim não a alcançaria a tempo de entregar-lhe o que ela havia esquecido.  Mas ele está com algo dela, certo? O correto seria devolver, e ela era tão linda… E agora o que fazer? E quem era aquela garota?

“É o que venho fazendo com A Garota, é claro. Esse planejamento. Encontrando significado onde talvez não exista, baseando tudo em poucas coisas: um meio sorriso arrancado rapidamente em uma noite escura na Charlotte Street.”
Já nas primeiras páginas do livro algumas dessas questões começam a se incorporar na história e darão rumo aos demais fatos e acontecimentos. Jason é um personagem mais “pacato”, tem um emprego em um jornal, jornal que segundo ele ninguém lê. E vivia com seu melhor amigo Dev, um personagem bem engraçado.
O diferencial desse livro é ele ser narrado em primeira pessoa por Jason, atualmente é difícil encontrarmos livros que sejam narrados por homens. Durante a leitura a sensação que nos toma é a de estar frente a frente com a personagem, o livro todo parece uma conversa dele, Jason, conosco. Wallace trabalhou muito bem essa característica, tanto que alguns fatos são revelados só depois ou aos poucos, como se a personagem tivesse esquecido de nos contar, mas lembrou naquele momento. Realmente uma conversa entre o livro e o leitor.
Toda essa introdução de Jason e a garota faz lembrar histórias de cinema, como naqueles filmes românticos e maravilhosos. Em Charlotte Street não foi bem assim, o autor foi muito pé no chão ao compor a história. Então, situações inusitadas demais, ou irreais, não existem nesse livro. Algumas coisas dão certo, outras erradas, é como acontece exatamente em nossa vida. Esse toque de realismo é que nos transmite a sensação de verossimilhança, do “poder ser real”.
Como Jason é uma personagem que se caracteriza como uma pessoa mais acomodada, no inicio da narrativa demoramos a pegar um ritmo, então a leitura é mais lenta, mas depois conseguimos nos envolver mais. Esse envolvimento também se dá pelo humor presente na obra. Em diversas situações nos pegamos rindo do típico humor britânico.

(…) E sei o que você está pensando. Você está pensando: Meu Deus! Você é o mesmo Jason Priestley, nascido no Canadá em 1969, famoso pelo papel de Brandon Walsh, personagem central da popular série americana Barrados no Baile? (…)

Ao decorrer da narrativa, vamos percebendo todo um amadurecimento pessoal de Jason, que não é uma pessoa muito determinada, mas todos sabem que em algumas situações em nossas vidas não podemos ficar somente de braços cruzados e temos que aprender a nos posicionar, a buscar e melhorar.
Da sua forma, o autor aos poucos surpreende o leitor, inserindo elementos em nossa “conversa”, e incrementando a história. Torcemos por um final feliz claro, mas como já coloquei anteriormente, esse livro é mais real, então tudo o que acontece nele é o que pode acontecer na realidade. Ele nos surpreende principalmente na última página, que Wallace mais uma vez nos joga elementos e faz com que fiquemos boquiabertos com sua criatividade.
O suspense em relação à garota vai sendo trabalhado no decorrer da trama, vemos que uma coisa está ligada a outra, se não fosse por isso talvez não acontecesse aquilo, etc. Se Jason encontrará a garota ou se descobrirá quem ela é, ai vocês terão que ler para descobrir, mas garanto que é um livro bom, vale mesmo a pena insistir na leitura e saber o desfecho da história, que com certeza me surpreendeu.

“Talvez eu estivesse certo ao pensar que poderia parar de ter as pessoas tomando decisões por mim. Que eu deveria começar a decidir.”

Mais uma vez a Novo Conceito fez um belo trabalho! Ah, e para quem não sabe, os direitos de filmagem do livro parecem já ter sido comprados… então, quem sabe, em breve não o teremos nas telonas?

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