Dataclisma

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Através da análise dos dados de um site de relacionamentos, uma investigação audaciosa e irreverente sobre o comportamento humano Com nossas vidas cada vez mais expostas on-line, é possível que usem nossos dados para todo tipo de atividade: nos espionar, nos contratar, nos demitir e, principalmente, nos vender coisas de que realmente não precisamos. Em Dataclisma, no entanto, Christian Rudder usa todos esses dados para nos mostrar quem realmente somos na internet — quando pensamos que ninguém está vendo. Ousado, original e irreverente, Rudder encara o desafio de manter a privacidade do público ao mesmo tempo em que explica, com base na análise dos dados, a diferença do comportamento dos homens e mulheres na rede; como o botão “curtir” do Facebook pode prever, com precisão surpreendente, a orientação sexual de uma pessoa; como mulheres bonitas têm mais chances de conseguir se sair bem em entrevistas de emprego; como o Twitter pode provocar uma nova dinâmica do ódio em massa e muito mais. O autor mostra como a Internet pode ser um lugar vibrante, brutal, carinhoso, indulgente, enganador, sensual e cheio de fúria. Afinal ela reflete a nossa sociedade e é composta por seres humanos. Da zona urbana a rural, dos ricos aos pobres, dos negros aos asiáticos, passando por brancos e latinos, de várias idades, todos estão conectados. E nunca na história da humanidade suas vidas e relações nunca foram tão rastreadas e transformadas em dados.

“Boa parte da matemática está em algum lugar entre milagre e coincidência.”

Se antes de ler essa resenha você leu a sinopse, deve estar se perguntando: por que um livro como esse foi escolhido para ser resenhado aqui no Drafts?

Para quem não me conhece, ainda, eu sou acadêmico da área de informática, mais precisamente do curso de Sistemas de Informação. Mas o que me chamou atenção no livro não foi puramente por ser algo ligado à informática.

Quando estava na faculdade, uma das matérias que mais gostei foi “inteligência de negócios” que consiste basicamente em usar dados e informação para alavancar as vendas de uma empresa. De forma simples, podemos definir “dados” como algo bruto, já informação é o processamento desses “dados” para gerar uma informação. Um exemplo é o fato que por dia o submarino, a saraiva e diversas outras lojas online vendem muitos livros. Quando uma venda é concretizada, uma série de dados são coletados: sexo do comprador, o livro comprado, região, meio de pagamento, de onde a venda surgiu e etc. Um comprador só não faz verão, mas quando os dados do mês ou do bimestre são coletados é possível visualizar, por exemplo, “que gênero as mulheres estão comprando mais?”, se forem livros “hot” é natural que as empresas aumentem a compra por esse gênero. No fim do dia, a empresa não fez uma escolha deliberada por simplesmente aumentar a compra de “50 tons de cinzas” e outros relacionados, ela identificou de forma real essa demanda por parte dos consumidores. Outro exemplo mais recente é a onda de livros de pintar.

Essa transformação magnifica, e não mágica, de dados em informação pode servir muito bem, mas também pode trazer transtornos ao invadir a privacidade das pessoas. Isso é normal, se informação traz um grande poder, é necessário usar com muita responsabilidade, como diria nosso querido Tio Ben.

De forma muito simples, todos nós mineramos dados quando estamos “investigando” alguém nas redes sociais, o tal “stalkear” é nada menos do que procurar em diversas fontes por informações sobre a pessoa: onde costuma ir, o que gosta, é romântico(a), gênero de livros preferido, séries, filmes e etc. Você já olhou o que o google tem a dizer de você?

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Nem sempre descobrimos o que queremos daquela pessoa tão idealizada. Isso é bom ou ruim?

O problema do “stalker” é que a pessoa se sente ameaçada, privacidade invadida e todo esse clima de “o que esse estranho quer descobrir de mim?”. O que é engraçado, já que no nível normal de Stalker, a tal pessoa só tem acesso as informações públicas, que nós mesmos produzimos. Informações essas que se analisadas por alguém mal intencionado podem gerar grandes transtornos. Por isso é importante gerir bem os dados que produzimos. O Stalker pode ser alguém apaixonado ou alguém querendo aplicar um golpe, sequestrar e etc.

O ato de “investigar” quem você é também é muito utilizado por empresas. O que eu sou no dia-a-dia é o que sou no currículo/entrevista? No inicio da Web todo mundo tirava foto, escrevia e falava o que queria, porém alguns anos depois essas coisas criadas continuam na Web. No entanto, nem sempre queremos que elas estejam lá e atualmente o assunto é tão sério que existem empresas para apagar seu passado tenebroso, digo, virtual.

O livro não explora essas coisas de segurança da informação, Stalker e etc, mas para realizar alguns dos estudos foram utilizados dados públicos do twitter, facebook e outras redes, mostrando o quanto o que falamos, revelamos e disseminamos fala sobre nós ou sobre alguma coisa. Se de forma pública já é possível extrair várias informações, imagina quando cruzamos e temos uma base de dados enorme?

Muitos dos testes realizados no livro, o autor usou a base de dados da empresa que ele montou, o “OkCupid”. Na imagem abaixo é possível ver uma das conclusões que ele chegou usando esses dados e consequentemente gerando uma informação.

Lendo de cima para baixo, vemos que mulheres de 20 e 21 anos preferem caras de 23, moças de 22 anos gostam de homens de 24 e assim sucessivamente, até a mulher de 50 anos, que escolhe homens de , no máximo, 46. [...] a essência da tabela está clara: as mulheres querem um cara aproximadamente da mesma faixa etária. (Página 36 do livro)

Lendo de cima para baixo, vemos que mulheres de 20 e 21 anos preferem caras de 23, moças de 22 anos gostam de homens de 24 e assim sucessivamente, até a mulher de 50 anos, que escolhe homens de , no máximo, 46. […] a essência da tabela está clara: as mulheres querem um cara aproximadamente da mesma faixa etária. (Página 36 do livro)

Sabe quando sua avó ou avô dizia muito tempo antes “me diga com quem tu andas que eu direi quem tu és” e você nem dava bola? Pois é, acho melhor rever seu ponto de vista. Outro exemplo dado pelo livro é um teste que procurava saber se a pessoa era “gay”. Adivinhação? Mágica? Não, apenas dados. Nesse caso, o dado bruto era o circulo de amizade, e ao analisar orientação sexual do circulo de amizade o software sugeria orientação sexual da pessoa. Taxa de acerto foi de 78%.

Esses dois exemplos são apenas alguns dos vários presentes do livro que pode te levar a refletir sobre uma série de questões. Não pense que por ser um livro técnico que não te interessa, pelo contrário, é uma fonte muito interessante para quem, por exemplo, quer montar um negócio.

Nem vou entrar no mérito da vigilância governamental senão a gente ficaria por horas falando disso… Mas se você quer saber mais sobre isso, ao menos na ficção, veja a série “Pearson Of Interest

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Agora imagina, se com tão pouco o Autor do livro fez muito, imagina tendo como analisar a base de dados do facebook, que consiste em mais de um bilhão de pessoas?

Por fim, eu particularmente achei o livro muito interessante, mesmo tendo usado dados dos Estados Unidos é possível ter um retrato de como algumas coisas são pelo mundo. Será que no Brasil seria igual? Talvez sim, talvez não. Aqui no meu Estado já vi pesquisas no sentido Eleitoral, onde através de dados abertos são traçados doares, popularidade e etc.

Ah, não fica preocupado com o que anda postando no facebook, uma dica que acho válida é “só fale, só poste o que pode ser público”, assim você evita vários problemas. O mundo digital não nos tira a responsabilidade de cuidar de nossa vida offline.

 

Publicado em: 03/ago/2015.
Livro enviado como cortesia.
Páginas: 304
ISBN: 9788576846864
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Em: LivrosResenhasUncategorized

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Sobre o autor

Bruno Luiz Mattos Oliveira
Bruno Luiz Mattos Oliveira

Nasceu em 1990 e mora em Cariacica (ES). É empreendedor, técnico em informática, formado em Sistemas de Informações e autor do livro No Encontro de Uma Constante. Não dispensa um bom rock.

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