Filhos do Fim do Mundo

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É meia-noite quando a Humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá de enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama. Em "Filhos do Fim do Mundo", acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré- apocalipse. Vencedor do Prêmio Argos 2014 de "Melhor Romance de Ficção Fantástica Brasileira", entregue pelo Clube dos Leitores de Ficção Científica.

Quando recebi o release de Filhos do Fim do Mundo da Fantasy fiquei com um pé atrás. E vocês podem estar se perguntando por que, certo? E a resposta é simples: com uma premissa dessas, a história poderia ser maravilhosa ou um fiasco total, dependendo da maneira com a qual o autor tenha decidido escrever o mesmo. E, Fabio Barreto, autor desse livro MARAVILHOSO, conseguiu mostrar a que veio e que, seu primeiro romance, pode ser muito bem aproveitado tanto na literatura quanto na cinegrafia. *Impossível não criar todo um filme na sua mente ao ler esse livro, gente!!!*

Filhos do Fim do Mundo é muito mais do que mais uma história sobre um possível apocalipseno mundo. Muito mais do que um cenário beirando o caos e a loucuraFilhos do Fim do Mundo é uma trama envolvente e altamente reflexiva, que nos faz pensar para onde a humanidade está caminhando, para onde a ganância e o desejo por poder estão nos guiando. Ele nos faz questionar nosso papel nesse “apocalipse”, nos faz repensar nossas atitudes, nossa postura diante das situações. Confesso que não esperava nada disso, apenas mais um romance falando sobre o fim do mundo e suas consequências.

No entanto, como eu disse no parágrafo anterior, Fábio conseguiu, com maestria, tecer uma trama muito atraente, não só literária, mas filosófica. Imagina ser acordado ou receber a notícia de que as crianças que estão nascendo e as que têm menos de um ano, e são esperança do nosso futuro, estão morrendo ou, ainda, nascendo sem vida? Onde colocaremos então nossa confiança? Será que Deus está nos punindo? Ou seria alguma outra força desconhecida? O que ou quem poderia ser a chave para interromper esse “tsunami” de mortes que está assombrando o mundo? Existe, ainda, saída ou um final feliz para a humanidade?

Em meio a tantas perguntas e questionamentos, conheceremos o Reporter, cuja Esposaestá prestes a dar a luz. Com medo do que possa acontecer com seu filho e sua esposa, ele se envolve na busca pela verdade, na busca pelas respostas a todas as questões levantadas com as mortes das crianças, a fim de interromper esse ciclo que se iniciou ou, ao menos, garantir que sua Esposa tenha um parto seguro, tranquilo e longe daquela tristeza toda que assola seu bairro e o mundo. Não podemos esquecer de falar sobre o Padre, amigo de faculdade do Reporter e de sua Esposa, que se mostra peça mais do que fundamental na resolução da trama e na vida de seu amigo.

Vale ressaltar que Fábio ousou bastante ao não dar nomes às suas personagens, nos fazendo conhece-las por suas profissões ou status na sociedade. Contudo, além da ousadia, ele foi muito inteligente, pois, devido a isso, conseguimos nos aproximar das mesmas, conseguimos perceber e até imaginar as pessoas em nossas próprias vidas, em nosso próprio bairro, em nosso próprio cotidiano. Sacada de mestre, não?

Narrado em terceira pessoa, não temos a visão de nenhuma das personagens-chave da trama. O que não foi ruim, pois só assim podemos visualizar e entender o cenário desenvolvido/desejado pelo autor como um todo. Outro ponto que é favorecido é a narrativa, que é bem gostosa e fácil. Não dá vontade de largar o livro. Filhos do Fim do Mundo é tão envolvente, instigante e fascinante que em uma tarde, sem interrupções, você consegue terminar o mesmo e ficar perplexo com as viradas que o autor coloca ao longo da trajetória do nosso Reporter.

Um ponto que me chamou bastante a atenção e que talvez tenha incomodado algumas pessoas foi a presença de um Blogueiro na história. Revolucionário e aparentemente brigando por nada, ele foi peça importante no desenrolar da trama e, de certa maneira, nos mostrou o poder que as mídias têm nos dias de hoje, o poder que nossas palavras e ideias, como pessoas formadoras de opinião, podem ajudar ou prejudicar determinada situação,

Devo admitir que fiquei com raivinha dessa personagem muitas vezes. Ela só se metia aonde não era chamada. Mas, no fundo, o Blogueiro só queria a verdade e estava se sentindo ameaçado pelo governo, pelo controle da internet e meios de comunicação. Ele queria deixar as pessoas cientes do que vinha acontecendo, sem mentiras e meia-verdades. Queria ser uma fonte verdadeira para o povo. E, afinal de contas, muitas vezes não é esse o nosso papel? Não só como blogueiros, críticos ou afins, mas como cidadãos?

Fábio Barreto chama nossa atenção para, mais uma vez, os conflitos de interesse existentes em nossa sociedade. Ele aborda temas complicados e delicados como política e religião, como fé e perdão, como Deus e o adversário desse mundo. Todavia, o ponto central do livro é um só: nos mostrar que a humanidade só morre, de verdade, quando deixamos de ser humanos, quando deixamos de nos preocupar com os outros e nos agarramos a coisas tão pequenas e mundanas quanto o dinheiro e o poder.

O autor nos dá um belo “tapa na cara” ao nos fazer lembrar que antes de tudo devemos amar ao próximo, devemos nos preocupar mais em servir do que sermos servidos, nos preocupar menos com o dinheiro e mais com as relações interpessoais que temos (família, amigos e etc). E, até o final (o Fim mesmo) do livro, considerado injusto por alguns leitores, em minha opinião, foi perfeito, o Reporter finalmente encontrou a remissão que necessitava.

Não vou falar muito mais senão acabo soltando spoilers. Mas se você, leitor, está à procura de um livro original, intrigante e emocionante da primeira à última página, dê uma chance a Filhos do Fim do Mundo. Tenho certeza de que você se verá em algumas personagens, positiva e negativamente.

Uma oportunidade de leitura singular e que vai mexer com você e suas ideias, vai te fazer repensar uma, duas, três, infinitas vezes sobre quem você é e sobre a sua importância como individuo nessa sociedade cada vez mais deturpada de valores.

 

Publicado em: 21/maio/2013.
Livro enviado como cortesia.
Páginas: 288
ISBN: 9788577343126
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Em: LivrosResenhas

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Sobre o autor

Mônica Quintelas
Mônica Quintelas

Mônica Quintelas ou Nica, tem 31 anos, é empresária, coordenadora pedagógica, professora de inglês, revisora, tradutora e blogueira por paixão. Nasceu no Rio de Janeiro e sempre morou na Cidade Maravilhosa. É bookaholic assumida, gosta muito de ler e se aventurar nas páginas de um bom livro. Ler é a sua válvula de escape, aquilo que a transporta a outros mundos, além da imaginação. Além de ler, adora dançar, bater um bom papo em uma cafeteria (se possível, acompanhada de um livro), se divertir com os amigos e cozinhar! Acredita em Deus e seu maior sonho agora é ser mãe.

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