Get Out

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O filme conta a história de Chris, um jovem negro fotógrafo que está prestes a conhecer a família de sua namorada branca Rose. O modo com amoroso com que a família de Rose age e o trata, inicialmente causa um estranhamento por pensar ser o primeiro namorado negro, mas com o tempo, Chris percebe que a família esconde segredos.

Desde que lançou o trailer do filme Get Out em 2016, meus amigos não paravam de falar o quanto nós precisávamos ver. Não por ser um filme de terror (o que não é meu gênero favorito) ou ter como protagonista um homem negro, mas sim, pela dualidade de interpretação dos discursos que Jordan Peele decidiu apresentar no filme. Para uns é um simples filme de terror, mas para a comunidade negra não é uma imaginação, mas as cenas e os diálogos apresentados são ouvidos por nós diariamente. Sim, Get Out remete-se a uma narrativa de terror psicológico que nós negros enfrentamos na sociedade do século XXI – O RACISMO.

O filme conta a história de Chris, um jovem negro fotógrafo que está prestes a conhecer a família de sua namorada branca Rose. O modo com amoroso com que a família de Rose age e o trata inicialmente causa um estranhamento por pensar ser o primeiro namorado negro, mas com o tempo, Chris percebe que a família esconde segredos.

Get Out obedece os clichês de namorado que vai conhecer a família da namorada no final de semana. É um casal apaixonado no qual abordam internamente sobre questões raciais, mas como é estar em um relacionamento inter-racial? Nas primeiras cenas Rose é apresentada como uma jovem “desconstruída” com um olhar atento sobre o modo com que abordam e tratam Chris. Sua posição é de defesa “ao seu homem”, mas com o passar do tempo, as reclamações, as falas que são de cunho racistas e reclamadas pelo protagonista são questionadas por ela e torna-se: Não acha que está imaginando? E neste ponto que o racismo se torna o crime perfeito. Silencioso, que apesar do negro ser a vítima ao reclamar sobre as falas, olhares e os toques abusivos torna-se o vitimista ou pior, o não grato pelo tratamento amoroso.

A figura do Chris é muito bem trabalhada. Jordan Peele não pensou no protagonista na posição de ser apenas o namorado negro que enfrenta situações racistas com a família de Rose, mas ao retomar as lembranças de seu passado sobre ser órfão, liga-se as problemáticas estruturais familiares que envolve os afro-americanos, entretanto, não quero dar ênfase na conjuntura familiar, mas sim na construção do HOMEM NEGRO.

É incrível as perguntas direcionadas ao Chris não soarem estranhas para mim, pois é o que ouço constantemente: Negros são agressivos? Vocês devem ter uma resistência para corrida, certo? Se são agressivos por que não fazem UFC? Podem correr? É verdade que negros são melhores na cama? É realmente grande? A objetificação e a sexualização dos negros encontra-se presente no discurso racista. Parecem nos tirar da condição de humanos e nos levar apenas objetivos que servem apenas de entretenimento ora sexual ou ora de violência. Ainda se tem a passagem pelo toque abusivo que parece nos avaliar “posso tocar o seu cabelo? Olha, não é duro”, “deixa eu… que corpo musculoso”, não podemos reclamar do nosso espaço privado ser invadido sem autorização.

Qual é a temática central? As consequências psicológicas do racismo. O filme não é um terror, mas sim, um suspense no qual retrata-se o medo real de nos questionar: Vocês sabem como tratam os negros aqui? O Racismo ele não se manifesta com palavras exatas de ódio, mas é um olhar, os toques, o modo com que constroem um ambiente que no qual sabemos que não quer nos recepcionar. O racismo invisível aos nossos olhos ainda precisa ser debatido, pois é uma grande consequência dos problemas psicológicos da comunidade afro-americana.

Publicado em: 31/maio/2017.

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Sobre o autor

Debora Queiroz
Debora Queiroz

Cristã-protestante, futura historiadora e saxofonista.

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