Hello – por Daiane Jardim

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*Ouça a música que inspirou esse conto: Hello – Albúm Fallen – Evanescence

Havia flores no chão, e a frente o céu mais lindo que já em toda minha vida, um azul profundo. Abro meus braços e corro, meus pés descalços tocam a grama morna aquecida pelo sol. Dentro de mim só havia paz.

Gargalhadas são ecoadas atrás de mim, e rio também, correndo, correndo… até que ele me alcança e toca em meu braço. Paro tomando fôlego e rio junto com Breno, nossas risadas infantis se misturam e algumas mechas do meu cabelo permanecem frente ao meu rosto. Ele delicadamente as tira, colocando para trás de meus ombros.

Não tínhamos medo, não conhecíamos o futuro, éramos ligados desde que nos conhecíamos por gente. Ele coloca as mãos acima dos olhos tentando protege-los da luz direta do sol, seus cabelos loiros brilhavam, os lábios vermelho vívidos, e os olhos, os mais lindos que já vi.

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Ele se sentou na grama, me abaixei também ao seu lado, cuidando para meu vestidinho florido que vovó havia me dado ficasse no lugar, mas estava com um short por baixo, então pude ficar mais a vontade.

– Do que vamos brincar agora? – perguntou Breno, enquanto tirava duas balas do bolso da calça. Ele sempre trazia doces consigo, e sempre guardava um para mim.

– Tô cansada Breno, vamos brincar de algo fácil.

Ele se deitou na grama e eu me deitei também, estávamos próximo a uma árvore, e olhávamos para algumas nuvens no céu.

– Vamos contar histórias? – Perguntou ele animado.

– Ah, não sei, você começa então.

– Ta bom, era uma vez um dragão…

-Ah dragão não Breno, não gosto de dragão, é melhor era uma vez um castelo.

– Isso é muito menininha Nana…  – Ele não me chamava de Diana, mas sim de Nana, todos me chamavam assim, era meu apelido carinhoso.

– Se você não quer brincar então fica quieto – Eu sempre brigava com Breno, ele era meu melhor amigo, mas sempre acabávamos brigando.

Ficamos um tempo quieto, até que ele me pergunta.

– Nana, como você acha que é a escola?

– Não sei Breno, mamãe me disse que vai ter outras crianças, que não posso ficar correndo e tenho que me comportar. E se eu chorar, ela vai bater em mim quando chegar em casa.

– É, mamãe falou quase isso também. É amanhã né?

– É sim.

– Você ta com medo?

– Não, não muito – Menti. Estava sim com medo, e se as outras crianças não gostassem de mim? – Breno… você vai fazer outros amigos?

– Sim, você também vai.

– Mas você vai esquecer de mim? Parar de brincar comigo? – Virei meu rosto e o olhei, aquilo me amedrontava, não queria que Breno não gostasse mais de mim.

– Claro que não Nana, não seja boba, eu nunca vou deixar você  – Foram as palavras mais lindas que eu já ouvi. Naquele tempo era a promessa de uma amizade eterna.

Ficamos olhando para o céu em silêncio, lentamente Breno encostou sua mão na minha, tínhamos a mesma idade, seis anos, mas a mão dele era um pouco maior que a minha. Era normal darmos as mãos. E de repente ele levanta e me puxa.

– Ta com você! Nana bobona! Agora vai ter que me pegar – E saiu correndo pelo grama do pasto da fazenda em que morávamos.

– Eu te mato Breno! – Sai correndo atrás dele, e consegui alcança-lo. O empurrei e ele caiu na grama, as gargalhadas retornaram. Então ao longe ouvimos a voz da minha mãe nos chamando para o café.

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Foi mais um dia divertido entre mim e Breno, amávamos brincar no pasto que ficava ao lado de minha casa, quando não havia bois por perto, minha mãe sempre nos deixava brincar. Corríamos, contávamos histórias olhando para as nuvens e quando o vento estava bom empinávamos pipa, ou jogávamos futebol.

Não medíamos o tempo, sabíamos a hora de parar quando a mãe de um de nós nos chamava. Éramos felizes, puros, sinceros, nossa amizade começou antes mesmo de nascermos. Pena, que Breno não conseguiu cumprir a promessa daquela tarde anos depois.

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