Joana e Maurício por Igraínne Marques

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10 de dezembro

Maurício,

A parte que me toca não é a que você próprio tocou. Vou e volto naquela trilha de metáforas mal construídas, você atirou em todas. Com sua arma calibre 37, duas espingardas e um canhão de guerra. Era alto mar, seu navio era maior. Afundei.

O afogamento é uma morte cruel, afinal. No entanto, gosto de pensar, sob a minha visão turva de quem afunda, que é melhor o afogamento ao incêndio.
Porque meu navio era menor, mas revidou. E o seu queimou, queimou por tempo suficiente para marcá-lo, embora não tenha sido o bastante para matá-lo.
Matar nunca foi a intenção. Quem morre não sofre. E essa era a vantagem sobre a sua pele deformada.
Eu me perdi em escombros, você se recompôs em cicatrizes.

Com ardor,
Joana.

~~~~~~J&M~~~~~~

Um certo dia, por algum motivo e sem dúvida por um desejo latente de contar algo, alguém se dispõe a escrever uma história. E aí, quando menos esperamos, a mídia nos bombardeia com mais um incrível lançamento. Tendo sido chamados a atenção, acabamos lendo e compreendendo o motivo do prometido sucesso. Ou não, porque às vezes nos perguntamos “Como alguém pode gostar disso?”.

O mundo atual é diverso. Nossos amigos possuem gostos diferentes, nossos pais têm pensamentos estranhos, então nem sempre um sucesso é realmente um sucesso para mim ou para você, mas sem dúvida, há vários livros e histórias feitos sob encomenda para despertar nossa empatia com o universo construído no livro.

Joana e Maurício ainda não é um best seller, mas tem um potencial enorme para ser. E participar desse início é sem dúvida uma sorte grande: O início onde o livro ainda é apenas uma semente, onde tudo é sonho e desejo, onde nada é concreto, cada fase parece possível e impossível. Será que os primeiros a lerem Harry Potter sentiram o mesmo?

Cada folha de grama tem seu anjo que se curva sobre ela e sussurra: “Cresça, cresça”. – Talmude

Já troquei inúmeras cartas com alguém que amava e, ao adentrar no universo do livro, percebi que a experiência tornaria tudo muito mais fácil. Tangível. Um retorno aos momentos escrevendo o que não poderia ser falado, o que não tinha como ser tocado, onde a poesia era dor, frustração, medo, esperança, desconfiança, choro, saudade, além das diversas perspectivas expressas em um papel, que tal como a vida, nos torce em suas promessas frágeis.

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Por que escrever?
Por que escrever uma carta?

Minha teoria é que quando estamos vivendo, estamos distraídos, felizes, e ocupados em aproveitar os fatos. Escrever se torna uma fotografia falada, onde queremos guardar, registrar e perpetuar os sentimentos de algo. Não estou falando de um bilhete ou de mandar um aviso, falo de quando nos propomos a expor a nós para outrem. Seja um amigo, uma paixão, um familiar ou quem sabe alguém totalmente desconhecido.

Quem nunca pensou, pensou e pensou e na hora de falar não falou nada? Seria covardia apenas escrever? A escrita se torna uma arma passiva ou ativa? Concreta ou uma ilusão? Dinâmica ou estática?

E em minha opinião, quando o livro desperta perguntas …

A história de um amor perdido no tempo, um amor que, sim, pode ser medido em palavras. Joana e Maurício são duas pessoas pertencentes a realidades sociais distintas, inseridas no meio de uma guerra que jamais é datada. A única semelhança entre eles é a idolatria pelo poema e, diante disso, os dois, ainda jovens, começam a trocar cartas. Cartas que mais parecem desafios, mas que com o tempo se tornam a narração perfeita para aqueles que nunca souberam conversar como a sociedade exige. Joana é a mulher que pode ser definida como a incógnita: ora feminista, ora conformada, talvez ela seja a clássica personificação da bipolaridade feminina. Maurício, por outro lado, é o idealista cego que desiste inúmeras vezes pelo caminho – só para perceber que é covarde demais para, simplesmente, desistir.

Um livro que desperta a curiosidade e deixa aquela pulga atrás orelha: há ambiguidade demais para ser só mais um romance.

É porque merece ser lido!

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Durante a leitura, Igraínne, a autora que gosta de ser chamada de Igra, sempre me perguntava “E aí, tem uma carta favorita?” e eu sempre dizia “Há dezenas de trechos encantadores, mas nenhuma carta que pudesse escolher como favorita. Sou péssimo em ter algo favorito.“. E eis que sou surpreendido, quando ela me envia o livro com a parte final e nela continha a carta que se comunicou perfeitamente comigo, carta essa reproduzida no inicio do post (e sem spoilers).

Essa carta é minha favorita por expressar um sentimento resignado que, no contexto do livro, mostra uma ação, uma evolução, um salto, algo como uma esperança contida.

Aquela fase onde você sente, quer falar, mas prefere ficar calado, até que de repente uma guerra é iniciada. “Do nada?”, não, muitos afastamentos são tão aos poucos, que quando notamos é tarde demais.

O livro me conquistou pela ideia, me envolveu pela poesia e ganhou minha aprovação por sua simplicidade e intensidade ao abordar um assunto tão recorrente em nossa literatura, mas simplesmente porque assim como na vida real “Todo mundo que sofreu por amor tem uma história interessante para contar“.

MÚSICA

Essa música acima é muito boa, reflete bem o livro, guardei e indico não só por isso, mas por ter um som muito bom também.

Achei Joana uma mulher forte, culta, marcante e inconstante. Apesar do calor, da vontade e dos milhares de planos, ela não conseguia colocar nenhum deles em prática. Avançava e retrocedia. É assimétrica, do tipo de deixar um cara louco. Louco de amor, louco de pavor, louco de louco. E, sem dúvida, existem mulheres assim e, sem dúvida, é um perfil que atrai e, sem dúvida, eu não sei se isso é bom ou ruim.

Maurício não é um nome tão comum nos dias de hoje, ele é pacato, idealista e cheio de romantismo, porém nem um pouco prático. Quando Joana avança, ele retrocede; quando Joana retrocede, ele avança. E eu me identifiquei com os medos deles, com as explosões e com os receios.

Há lacunas no texto, do tipo proposital, evocando uma aura de “O que você acha que aconteceu?” e, ao contrário do que possa parecer, isso é magnífico. Um início que não importa como foi construído ou porque, de repente, dois jovens começam a explodir paixão, eclodindo o mundo ao seu redor. E toda poesia presente no livro torna isso mais fácil de sentir e perceber.

“O mundo quebra todos e mais tarde, muitos são fortes em lugares quebrados” –

Ernest Hemingway do livro “A Farewell of Arms” publicado em 1929.

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E nada melhor que encerrar essa estreia com uma entrevista com nossa convidada especial, Igraínne Marques o/ o/ o/

Bruno Luiz Mattos
Igraínne Marques é um nome muito forte. Costumo dizer que toda mulher com nome de letra repetida é complicada (Anna que não me escute), isso procede?

Igraínne Marques
Acredito que sim. Complicada é meu sobrenome -nn.

Bruno Luiz Mattos
Claro que é só uma brincadeira pra descontrair. Obrigado por concordar comigo, gosto disso hahaDiga-me, o que está lendo atualmente?

Igraínne Marques
Anjo Mecânico, sou muito fã de livros assim, me julguem, genteeee!

Bruno Luiz Mattos
É uma boa série, eu vi o filme e li o livro, o primeiro ainda. A Nica acabou de fazer um vídeo da Princesa Mecânica, chegou a ver?

Igraínne Marques
Não cheguei a ver porque tenho medo de spoiler, especialmente porque esse do vídeo que é o último. Mas eu vi que tava lá, só não dei play.

Bruno Luiz Mattos
Pelo comentário dela parece um ótimo livro
Mas vamos falar de você, hoje você é nossa estrela. Gostou da ideia dessa coluna? Não achou meio maluca uma resenha de um livro que não pode ser vendido ainda? (Ênfase no AINDA)

Igraínne Marques
Achei a coluna muito boa, na verdade ela é ampla e sincera, além de dar espaço para escritores iniciantes que não têm como divulgar seu trabalho. Se toda ideia boa fosse maluca como essa, estaríamos todos ricos.

Bruno Luiz Mattos
Olha, que gentil. Eu que agradeço pela oportunidade de ler seu livro em primeira mão, um dia poderei falar “Tá vendo meu filho aquela autora? Eu conheço ela“. Deve ser muito massa conhecer gente famosa. Conte um pouco sobre o processo de criação do livro.

Igraínne Marques
Que famosa o que, menino, ainda sou um nada nos mundinho tudo! Hahaha. Mas sobre o processo de criação: demorei muito tempo para escrever esse livro, em especial no início, quando não havia a pretensão de escrever uma historia com inicio meio e fim. Depois que decidi transformar tudo numa coisa linear, fiz um planejamento, e finalmente, após um longo hiato em minha vida criativa, cheguei a escrever os últimos três meses em um único dia. Costumo dizer que foi libertador.

Bruno Luiz Mattos
Que show o/. Eu tenho muitas ideias, mas ainda não consegui parar e focar nelas, e acho incrível o universo construído por alguns escritores. O que você acha do mercado e hoje quais são suas perspectivas enquanto escritora e leitora?

Igraínne Marques
Eu acho o mercado bem ingrato, na verdade. Especialmente em relação a muitas editoras brasileiras famosas, que deixam de publicar o livro nacional para traduzir uma história que já é sucesso lá fora e por isso é lucro inquestionável. É aquela coisa, mesmo que as perspectivas sejam poucas, a gente só vai saber a resposta se tentar. Eu ainda quero escrever mais, muito mais, e mesmo que eu nunca seja publicada, continuarei escrevendo. Em relação à leitura, tenho tentado diversificar os gêneros. Por exemplo, enquanto escrevia JM, procurei por referências e descobri que a carta é muito rejeitada no país. Você encontra livros escritos integralmente em forma de e-mail, mas a carta já virou coisa descartável.

Bruno Luiz Mattos
Que injustiça, mas é compreensível. Os tempos mudam e as coisas mais clássicas são deixadas de lado, embora ainda tenham um valor inquestionável. Parar e dedicar um pouco do tempo para alguém é um ótimo presente. Já pensou em se auto publicar a si mesma? (repetição foi proposital)

Igraínne Marques
Já pensei. Estou considerando isso no momento, mas ainda não sei ao certo como as coisas vão caminhar.

Bruno Luiz Mattos
Quando eu comecei a ler o livro eu pensei “uau, quanto elemento clássico” jurava que você poderia ter vivido aquela época, de onde surgiu essa facilidade com um tempo no qual não viveu?

Igraínne Marques
Na verdade o tempo não se define no livro, tem elementos atuais também.

Bruno Luiz Mattos
Sim, eu percebi isso, mas depois vai se definindo mais e como carta é algo ‘do passado’ fiz essa associação

Igraínne Marques
Sim, sim, e você não está errado ahahaha. Eu também os vejo como de “antigamente”.

Bruno Luiz Mattos
Embora não seja exatamente assim, acho que a facilidade de comunicação de hoje em dia tirou a urgência da arte de expressar sentimentos, o tipo de coisa que uma carta pode expressar, como sentir que a pessoa reservou um tempo de sua vida para aquele momento.

Igraínne Marques
EXATAMENTE ISSO.

Bruno Luiz Mattos
Por que escrevê-las?

Igraínne Marques
Eu tive muitas desilusões amorosas. Escrevia sobre Joana e Maurício para vomitar tudo. A Joana era eu e o Maurício, de um modo louco, se encaixava em todos os caras que passaram pela minha vida, cada um em sua fase. Depois de um tempo percebi que os dois, tanto Joana quanto Maurício, precisavam sair daquela redundância de sempre contar a mesma coisa, e enfim dei a eles vida própria.

Bruno Luiz Mattos
Conte para nós, estamos todos curiosos. Quem afinal é Joana e Mauricio?

Igraínne Marques
Sabe que eu também me pergunto isso com frequência? Acho que Joana é um pouco eu, como eu disse, mas pode ser também qualquer mulher que ainda não sabe que é mais “ela” do que qualquer romance que possa acontecer em sua vida. Aquela dose de egoísmo clássico, é claro: mulheres precisam se bastar em si mesmas. E o Maurício é o homem inexistente que a gente sempre acha ter encontrado naqueles que passam por nós – só passam mesmo HAHA.

Bruno Luiz Mattos
Então o Maurício seria algo como “enquanto não acho o certo…

Igraínne Marques
Acho que não, acho que o Maurício é o negativo da Joana, são todos os erros dela juntos. E talvez seja por isso que ela sempre arruma uma forma de contorná-lo, mesmo que ainda assim o mantenha por perto.

Bruno Luiz Mattos
Depois que li sua coluna no CC fiquei intrigado com aquela menina “cheia de poesia” e que foi uma surpresa ler o livro e ver o quanto estava certo. O que a poesia representa para você?

Igraínne Marques
A poesia é o grito surdo de qualquer um. Eu gosto muito de uma passagem, que (NÃO É SPOILER) aparece no livro de forma ligeiramente diferente. Escrevemos poesia para nós mesmos quando na verdade gostaríamos de gritá-la, berrá-la, e é por isso que é tão bonita, eu acho. Ninguém mente numa poesia, as pessoas são sinceras ali. Talvez seja por isso que sentem vergonha e guardam em gavetas.

Bruno Luiz Mattos
De forma lúdica, Mauricio é o espelho de uma mulher que na busca do romance perfeito se atrapalha em suas emoções e decisões desenfreada?

Igraínne Marques
Não acho que Maurício seja um “erro“, que ele se atrapalhe ou qualquer coisa assim. Ele é apenas humano. E por mais que Joana renegue a perfeição, ela ainda é mulher, ela ainda espera que haja alguém que a encaixe de modo “perfeito”. É uma sensação inconsciente. O problema com Maurício é que ele se cobra demais, ele é intenso, desesperado, ele não respira. Talvez ele seja só aquilo que Joana nunca foi, e talvez, apenas talvez, ela o inveje por isso.

Bruno Luiz Mattos
A poesia está por toda parte e, mesmo assim, é dos gêneros menos vendidos, embora todo mundo goste e compartilhe, qual a sua teoria sobre isso? Já troquei cartas na minha vida e eu me senti tão bem ali, lógico que não vivi as mesmas coisas, mas em analogia seria quase o mesmo: A excitação, o proibido, a superação, o arrependimento, o final …. E eu fico me perguntando de onde veio tanta intensidade, tanto realismo. Por mais que você tenha se usado como referência não foi todo o “suporte”, escrever personagens intensos não é para qualquer um. Particularmente eu tenho uma teoria onde “Só podemos escrever o que vivemos” e eu quase posso acreditar em realidade paralela lendo você. Quais são seus planos de agora em diante?

Igraínne Marques
Isso tudo que você disse foi simplesmente incrível. Em relação à poesia, acho que ela é subestimada. Por isso decidi colocá-la na prosa. Só por estar em texto corrido não deixa se ser poesia. E as cartas são o maior reflexo disso. De certo modo, a gente pode escrever sobre tudo o que a gente quiser, mas a nossa alma fica grudada, como você disse, naquilo que já vivemos. A intensidade reflete o nosso próprio medo.

Bruno Luiz Mattos
Somos pessoas incríveis o/. Fale dos seus planos!

Igraínne Marques
Siiiim, dá abracinho *o*
Meu planos para agora: tenho uma trilogia engavetada que pretendo editar, revisar, etc etc etc, e acabar o terceiro, que até hoje não conclui. Por incrível que pareça, eu sempre gostei mais de escrever fantasia. Mas não rejeito a ideia de escrever algo como JM novamente, apesar de já ter descartado a ideia de dar uma continuação. Histórias são assim. Chegam, vazam e se deletam. Acho que a história de Joana e Maurício já foi contada, agora é hora de dar espaço para outras Joanas e outros Maurícios mostrarem a sua voz.

Bruno Luiz Mattos
Não vou mentir, terminei o livro com um certo vazio. Como dizem “ressaca literária“, pedindo “mais e mais”, só que por um lado eu entendo você perfeitamente. Igual Ponte para Terabitia, todo mundo querendo um final X, sendo que a história era Y. O leitor assimila, absorve, rouba o personagem e a impotência de refazer o universo ou vivê-lo mais nele traz essa sensação. De onde você acha que surgiu essa sua vontade de encantar o mundo com sua imaginação?

Igraínne Marques
Sim, acho que você definiu da maneira mais mágica possível. Você diz a ideia de escrever? Escrever sempre foi uma necessidade, uns gostam de música, eu gosto de riscar papel – ou machucá-lo. Cada um grita com a voz que tem. Sempre achei que, de um modo geral, todos os escritores do mundo escreviam primeiro para eles mesmos, e depois para o mundo.

Bruno Luiz Mattos
Romance, poesia e uma história impactante. Qual seria a trilha sonora indicada ?

Igraínne Marques
Instrumental! Gosto de músicas que não têm vozes para atrapalhar o desenrolar da história.

Bruno Luiz Mattos
O Clássico circula no seu sangue como o oxigênio em nossos pulmões, isso é muito raro hoje em dia. E no dia a dia, quem é a Joan… digo, Igra?

Igraínne Marques
Igra é mulher normal, como qualquer outra, eu nunca fui muito boa em me definir, eu sempre achei que não me via com clareza. Mas acho que posso recorrer à própria Joana. Acho que ela se parece comigo.

Bruno Luiz Mattos
Isso é assustador hahahaha. Brincadeira.

Igraínne Marques
De certo modo também acho preocupante hahaha. Ninguém gosta muito da joana, por isso é assustador (ou quase isso).

Bruno Luiz Mattos
E o que gostaria de falar para nosso leitores? Aproveite.

Igraínne Marques
Oláaaa, genteeee! Sei que muitos de vocês também escrevem,  e queria dizer para nunca desistirem! Eu não desisti, não tenho uma editora, mas me sinto muito feliz comigo mesma só pelo fato de ter chegado até o fim com JM. Acho que algumas histórias simplesmente precisam ser contadas. E nós devemos permitir isso. 

Observação: A entrevista transcorreu no chat do facebook, portando as abreviações e expressões fazem parte da proposta.

Para mais informações: TwitterFB e CC


Primeira mão é uma coluna para falar de originais ainda sem perspectivas de lançamento, mas com uma alta qualidade. Então, se você tiver algo escrito (início, meio e fim) e quiser uma opinião, entre em contato com a gente e teremos o maior prazer em ajudar a divulgar a sua obra!

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