Mar da Tranquilidade

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Quando me deparo com leituras de classificações New Adult, uma pulga acaba nascendo em minha orelha. Essa categoria literária sempre me traz a sensação de passatempo, aonde o autor acaba seguindo uma fórmula de personagens problemáticos que acabam se encontrando e desempenhando um papel fundamental na vida um do outro. Tudo acaba se tornando bem clichê e o leitor não precisa pensar absolutamente nada por causa do enredo de outros livros. Então, por que você leu Mar da Tranquilidade? Por causa das personagens auto suficientes.

Katja não abriu mão do clichê do primeiro encontro das personagens, no qual a personagem acha o rapaz perfeitamente lindo e ao mesmo tempo insuportável. E o rapaz? Este faz questão de ignorá-la até o ponto da mesma se tornar importante em sua vida. Entretanto, no meio desses clichês, a autora soube lidar com a diferença de pensamentos e situações de cada personagem, deixando-os completamente expostos ao leitor.

Nastya tem muito o que esconder. Seu passado a atormenta, deixando marcas em sua pele juntamente com a sensação de que acabara morrendo e a única coisa que lhe restou foi um corpo no qual insiste em respirar. Magoada e confusa, Nastya quer começar a vida do zero, aonde as pessoas não saibam do seu passado e seja capaz de mentir para si mesma dizendo que tudo está bem. Roupas vulgares, forma calada, a personagem acaba se apresentando como alguém que não precisa de ninguém e o seu passatempo é suportar Drew e invejar o campo de força de Josh no momento do recreio.

Josh não tem o que esconder, a questão do personagem é: por que ninguém pergunta? Todos ao seu redor sabem de sua dor, entretanto, não comentam ou muito menos perguntam… como se fizessem um favor e, silenciosamente, dizem: Esqueça o que aconteceu. No meio de sua dor, Drew desempenha não apenas o papel de amigo, mas de alguém imaturo e que precisa que Josh seja o responsável, presente, o livrando das confusões e é aonde o mundo catastrófico de ambas as personagens se cruzam.

A autora surpreendeu. O clichê em uma leitura pode ser o porto seguro de um leitor ou o tédio, tudo é questão de como o escritor o resolve conduzir, mas Katja inovou na apresentação dos clichês, nos deixando refletir sobre as ações das personagens, o que fez a palavra fantástico se tornar uma ótima definição.

A autora não apenas apresentou o problema das personagens principais, mas soube explorar também as personagens adjacentes, envolvendo todos em um ciclo de problemas, onde todos acabam buscando uma mesma solução para que ninguém saia magoado. Acredito que essa seja A questão do livro: Por quanto tempo vale apena aguardar a mágoa?

Mar da Tranquilidade apresenta, em diversos pontos de vista, o quanto uma mágoa guardada ao longo dos anos pode destruir a si mesmo, sua família e a oportunidade de começar a se relacionar com quem está ao redor. Uma frase que ficou na minha mente foi: “Se eu pudesse te daria o mar da tranquilidade”.

Agora, eu pergunto: Para quem vocês seriam o Mar da Tranquilidade?

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