Menino de Ouro: Qual é o seu segredo?

Sempre fico antenado nas novidades do mundo infanto-juvenil e, quando vi o post da Daiane sobre o livro, foi inevitável não ficar curioso e querer conferir sua proposta. Através de uma parceria com a Editora Globo, isso foi possível. Agradeço, novamente, à equipe mega atenciosa pela oportunidade.

Toda fase da vida terá sua vantagem e desvantagem. Mas, quando estamos entre nossos dez e vinte anos, é uma fase bem sensível, em minha opinião, pois é quando temos que descobrir, aprender, assimilar e tentar achar um ponto de equilíbrio nessa selvageria toda. Há os dilemas normais da vida e os que nos são “apresentados” pela convivência em sociedade. E um deles é ser “diferente”. Com toda essa conversa sobre sexualidade e bullying, acaba sendo um tema em evidência essa questão de ser “diferente”. E, infelizmente, demoramos muito tempo para entender que ser diferente é algo bom. Esse entendimento demora para chegar porque o processo é longo e muitas vezes doloroso.

Minha teoria é que há muita gente sem objetivo de vida. Quando se tem objetivo e opinião própria, você pode não concordar com tudo e/ou achar estranho, mas vai sempre respeitar e tratar bem a pessoa/situação.

Todo mundo vai ter um problema, às vezes mais de um. Eu, por exemplo, sou bem acima do meu peso normal e isso sempre abriu brecha para piadas e zoações. Tirando a questão de saúde, qual o problema em ser gordo? O problema é bem simples: não é normal.

A moda, a  televisão, os ônibus, os carros, as roupas, filmes e um infinito de outras coisas são moldados para pessoas “magras”, tudo que sai desse padrão é visto como anormal. E isso é muito irônico, uma vez que são as mudanças que fazem tudo evoluir, principalmente nós enquanto seres vivos. Alguém em um algum momento determinou um padrão que todos deveriam seguir e nós? Seguimos sem nos dar conta. Só dá para combater isso nos policiando constantemente, principalmente nossas ações.

E é nesse cenário selvagem que Max se encontra.

 Você não é tão estranho quanto acha que é…     Todo mundo se sente diferente dos outros.

Você não é tão estranho quanto acha que é…
Todo mundo se sente diferente dos outros.

Ele é intersexual, que é uma palavra bonita para hermafrodita. E esse fato moldou toda sua vida, seja de forma direta ou indireta.

Só que, para entender isso, não seria possível ver tudo pelo olhar de Max; por isso, a Autora teve a brilhante ideia de dividir a livro entre diversos personagens. Sua mãe, seus Pais, Irmão, a Médica e sua Namorada. E isso é bem plausível, porque uma vez que nos abrimos para o mundo, e não fazer isso é praticamente impossível, nos tornamos influenciadores e influenciáveis.

O livro deixa essa questão bem clara. Diante do seu problema e da forma como ele afetava todas as pessoas importantes em sua vida, que outra alternativa Max tinha além de ser um menino dócil, educado e responsável?

E tudo que sofre pressão, em determinado momento, explode. O desencadear do livro é justamente iniciado a partir desse momento. Infelizmente, eu não posso contar o que houve, mas pense em como tudo seria se você tivesse que confrontar o maior dilema da sua vida da noite para o dia?

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De forma técnica, o livro é muito bem produzido: a capa, diagramação e o ritmo dele são satisfatórios. É uma leitura para toda a família – digo isso por ser uma história contada em diferentes ângulos (como dito lá em cima) -, então não é apenas o Max lidando com seu problema, mas também os país lidando com a situação, o irmão aprendendo a administrar seus sentimentos, a namorada do Max tendo que lidar com algo complicado de lidar e a médica dividida entre seus sentimentos e a devida postura profissional.

Acredito que alguns pontos poderiam ter sido melhor explorados, mas por outro lado isso poderia ter prolongado o livro apenas por simples luxo de ficar mais um pouco em seu universo, o que é ótimo, demonstrando o quanto o livro é bom.

Por fim, Max poderia ter sido qualquer “esteriótipo”que as questões abordadas na história continuariam as mesmas. E esse retrato feito no livro sobre intersexualidade é um belo rascunho de um tema muito mais amplo, mas que já ajuda a refletir muito sobre a questão.

Já pensou se aquela garota bonita da sua escola/trabalho no fundo pode ser um menino biologicamente/fisicamente falando? Ou o cara que você curte é biologicamente/fisicamente uma menina?

Eu pessoalmente nunca soube de um caso desses aqui por perto, mas assim como no livro, assim como nós, um segredo não é algo que todo mundo deveria saber, embora fosse muito mais simples se livrar de um peso desses. Mas nunca é fácil.

Qual é o seu segredo? O que isso influência em sua vida? Qual o peso disso em suas decisões?

— Isso é altamente improvável.
— Você é altamente improvável.

*Dica: O blog Conversa Cult fez um post muito legal falando sobre “diferenças”. Clique aqui para ler.

 

Sobre o autor

Bruno Luiz Mattos Oliveira
Bruno Luiz Mattos Oliveira

Nasceu em 1990 e mora em Cariacica (ES). É empreendedor, técnico em informática, formado em Sistemas de Informações e autor do livro No Encontro de Uma Constante. Não dispensa um bom rock.

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