O CORPO

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Todo início de ano uma promessa em comum surge na lista de milhares de mulheres: “Eu desejo emagrecer”. Parece que acreditamos que a mudança de ano é capaz de nos ofertar forças monstruosas para iniciar uma dieta e construir uma vida fitness. O problema é que as coisas não funcionam assim.

Achei, nessa semana, uma agenda de 2016 que anunciava o meu desejo de perder 15kgs e construir um “corpo perfeito”. A minha surpresa não foi o pedido, mas perceber que na segunda-feira enviei uma mensagem para minha irmã pedindo dicas de alimentação para poder perder a mesma quantidade de peso. O meu espanto fica em perceber que ainda continuo percorrendo a ideia de um corpo magro, perfeito, que é ilustrado no instagram fitness para mim, mas não procurei profundamente saber uma coisa importante: Como anda a minha saúde?

Morar com 4 mulheres é incrível e ao mesmo tempo complicado, especialmente quando as pautas são temperamento e lidar com o corpo. Não enxergamos imediatamente as diferenças físicas, como a estrutura óssea ou como é o formato do nosso corpo, mas somos capazes de enxergar e comparar a gordura e/ou a magreza de cada uma. Isso machuca profundamente e estimula muitas vezes em nós compulsões que nem ao menos percebemos.

É sempre espantoso perceber que somos uma geração de inteligência artificial. Um click e somos capazes de descobrir se aquele alimento faz bem para a saúde ou não. Suas calorias, carboidratos e proteínas, mas nunca nos perguntamos ou pesquisamos as compulsões ou as causas que uma dieta restritiva pode nos causar. Não nos questionamos o quanto aquilo que seguimos em nosso feed é verdadeiro ou não. Simplesmente observamos o corpo do outro como uma vitrine de uma loja, viramos para uma amiga e dizemos “Eu desejo”; mas, no fundo, quem te estimulou a correr atrás de um corpo que é um padrão da atualidade e que daqui a 2 anos pode não ser mais?

Não estou querendo dar uma lição de moral que nem ao menos sou capaz de aplicar em minha vida, mas quero abrir um questionamento que ando fazendo para mim mesma: Como você se sente em relação ao seu corpo? É feliz ou infeliz? Se você é infeliz, por quê? Você quer emagrecer porque descobriu que é necessário e importante cuidar de sua saúde? Fazer essas perguntas para mim é um exercício diário, especialmente para entrar em minha consciência que o meu corpo é comum e ao mesmo tempo diferente de outras mulheres. Não existe um corpo perfeito e não adianta perseguir isso constantemente, especialmente com a grande possibilidade de sair machucada – mais do que já me encontro. =/

Você deve estar se perguntando: Quais são as suas respostas para essas perguntas, Débora?

Sendo bem sincera, nem sempre sou positiva com relação ao meu próprio corpo. Por muito tempo me proibi de usar shorts, saias curtas ou até mesmo ir a praia para não apresentar o meu corpo. Depois de quase 5 anos sem colocar os meus pés na areia, realizei o meu desejo em andar na praia de biquíni e sorrir com meus amigos.

É simples, inovador e amedrontador.

A minha infelicidade com o corpo é gerada não inicialmente por uma satisfação particular, mas o olhar do outro sobre o meu corpo. Ouvir “Você não acha que está gorda demais?” ou “Não vai arrumar ninguém assim” é doloroso. Isto me torna – e qualquer outro que ouve coisas semelhantes – em alguém infeliz.

Nesse momento, estou tomando consciência sobre o meu corpo. Isso significa que estou aprendendo a me amar mais e a enxergar o meu corpo não como algo que precisa ser escondido por medo de olhares estranhos, mas tomando a consciência de que preciso amá-lo, pois é a minha própria morada. É tão necessário e urgente cuidar de mim fisicamente, espiritualmente e mentalmente. O meu corpo precisa de mim e não de dietas malucas ou crucificações, minhas ou de terceiros, por não seguir um padrão.

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