Qual é o primeiro momento da sua vida?

Ao abrir seus olhos para mais um dia, Jesse observa um mundo completamente diferente de todos ao seu redor. Não há uma reposta certa sobre o motivo disso. Pode ser obra de Deus, o fato de ser o único garoto da família, um luxo do universo ou simplesmente era para ser.

E essa sua forma particular de observar o mundo que o tornava uma pessoa diferente, deslocada, à procura de aceitação e de amor, não exatamente o romântico, mas aquele que nos faz sentir parte de algo, parte do mundo, que qualquer um pode ser capaz de oferecer.

Quando nascemos, ganhamos um presente ótimo, mas que demoramos a perceber. E nesse momento que somos apresentados ao mundo, ele é configurado de uma forma padrão: “As coisas são assim, pronto e acabou”. Iremos ouvir isso muitas vezes e… acreditar. Só que chegará um momento onde a decisão de seguir esse mundo padrão é totalmente nossa, de acordo com aquilo que acreditamos e vivemos.

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E se, em um primeiro momento, Jesse pudesse parecer um garoto deprimido, desajustado, avoado, sem perspectiva, ele se revela apenas uma pessoa dentro de uma bolha, da qual não sabia como se libertar, ou simplesmente, não via motivos para lutar. E permanecia inquieto enquanto o mundo girava ao seu redor.

Mais uma vez. Mais uma vez.

Ponte para Terabítia não é um livro fácil de digerir e, dizer que é só para criança, é um grande equivoco. Os dilemas enfrentados pelas personagens nos levam até nossos tempos de crianças e, quem sabe, até o dia de ontem?

Equipamento de respiração subaquático – por Leslie Burke.Estou avançando gentilmente sobre o selvagem e lindo mundo inexplorado abaixo de mim. Estou flutuando em silêncio e quebro o mesmo com o som da minha respiração. Sobre mim não há nada além de luz brilhante. O lugar de onde eu vim e que voltarei, quando tiver terminado aqui. Estou mergulhando. Sou uma mergulhadora. Vou o mais fundo possível, através de pedras enrugadas e algas escuras, em direção a um azul profundo onde uma escola de peixes prateados esperam. Enquanto nado através das águas bolhas saem de mim balançando como águas-vivas enquanto sobem. Eu verifico meu ar. Não tenho o tempo necessário para ver tudo, mas é o que torna isso tão especial.

Uma vez, meus pais viajaram e havia uma ponte com uma paisagem muito bonita, então me colocaram nela para tirarem uma foto. Claro que não me lembro muito, mas lembro de ter sentido muito medo naquele momento e, sempre que olho a foto, me recordo dessa sensação. Sem dúvidas, essa é a primeira lembrança que tenho da minha vida.

Para Jesse, o primeiro momento de sua nova vida, foi quando conheceu Leslie Burke. Uma nova garota da vizinhança que se mudou da cidade para “rever seus valores” junto dos pais. E é incrível porque nos faz lembrar muito de todas as pessoas que conhecemos e que de alguma forma se tornaram parte de nossas vidas… às vezes, até mesmo depois de algum episodio de relutância. O mais surpreendente é isso, somos um mundo com sete bilhões de pessoas e, no fim do dias, são poucas que impactam diretamente no nosso cotidiano.

[…] Jess se virou e seu olhar cruzou com o de Leslie. Sorriu para ela. E por que, não? Não havia nada que impedisse. Afinal de contas, do que é que ele tinha medo? Deus do céu. Às vezes ele se portava de um jeito tão esquisito, que ele mesmo não entendia. Inclinou a cabeça e sorriu de novo. Ela sorriu de volta. Sentado ali, no chão da sala dos professores, ele sentia que aquilo era o começo de uma nova fase de sua vida, e resolveu, deliberadamente, que ia ser mesmo. Não precisou anunciar formalmente a Leslie que tinha mudado de ideia a respeito dela. A menina já sabia.

Com certeza muitas pessoas já assistiram o filme, que por sinal foi muito bem adaptado e, por mais que saibam toda a história e por mais que muitos não concordem com o final, em minha opinião, por mais que também não desejassem o final do mesmo, o livro foi coerente com sua proposta e é essa soma das partes que torna o livro totalmente sensacional. Quando terminei de ler, queria que todo mundo lesse ele, porque é um daqueles livros que te torna diferente mesmo criando e trazendo algumas coisas difíceis de lidar.

Um dia, no inverno passado, ele lhe dera um de seus desenhos. Só entregou na mão dela no fim da aula, e saiu correndo. Na sexta-feira seguinte, ela pediu que ele ficasse um pouco mais depois da aula. E disse que ele tinha “um talento fora do comum”, e que esperava que ele nunca se deixasse desanimar por nada, mas “fosse em frente”.   Isso queria dizer, Jess tinha certeza que ela achava que ele era o melhor. Não aquele tipo de melhor que conta ponto em casa ou na escola, mas um tipo verdadeiro de melhor. Guardou isso bem lá no fundo de si mesmo, como se fosse um tesouro de   piratas, bem enterrado. Ele era rico, muito rico, mas ninguém podia saber disso, a não ser aquela outra pessoa que era marginal como ele, sua companheira Julia Edmunds.

A linguagem do livro é totalmente diferente do filme, se você vir o filme antes do livro algumas coisas importantes passam batido que lendo o livro deixa tudo mais coerente e justificado e a narrativa por ser leve transforma tudo mais tangível, por assim dizer.

E eu me pergunto: como uma história “para criança” pode mexer tanto com as pessoas do mundo adulto? Acredito que ninguém perde seu lado criança, o fato é que com tempo palavras como “amor”, “sentimentos” e muitas outras que possam revelar uma pessoa frágil e sensível vai se dissolvendo para que exista aceitação.

Quem nunca escutou “Fulano já tem 40 anos e fica hora jogando vídeo-game”. Nem vou entrar no mérito de vício, se é algo que prejudica a vida da pessoa ou não. O simples ato de jogar é visto como infantilidade, como se fosse algo capaz de tirar habilidade profissional e diminuir o caráter da pessoa. Lógico que esse é um exemplo, se souber de mais, fique à vontade para compartilhar nos comentários.

O que levo de Terabítia comigo é o fato de que sempre podemos fazer algo por alguém independente do quanto temos, o fato que por mais que seja difícil devemos sempre expressar o que sentimos, que ser amigo de verdade é uma questão de atitude e que as diferenças devem ser admiradas. Mentira, isso é muito pouco para levar de Terabítia, há muito, muito mais coisas, mas que só lendo você vai entender.

Infelizmente, o livro é um pouco caro, pelas minhas pesquisas algo como R$ 38,00, mas eu garanto que é um exemplar que vale a pena ter na estante.

E, afinal, o que a ponte tem a ver com isso tudo? Só lendo você vai entender…

Não tinha nascido com coragem, mas não tinha de morrer sem ela. – Ponte para Terabítia

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— Sabe de uma coisa, Jess? 

— O quê? 

— Graças a você, eu acho que agora já tenho uma meia-amiga na escola de Córrego da Cotovia, para somar com o amigo inteiro que já tinha. 

Ele sentiu um aperto de dor no peito, ao ver que ter amigos era uma coisa tão importante   para   Leslie. Quando é que ela iria aprender que eles não valiam  o esforço? 

— Deixe disso, Leslie. Você tem mais amigos. 

— Nada disso. Um amigo e meio. Ou meia. Myers Boca-de-Monstro não conta. 

Lá, em algum lugar secreto, os sentimentos borbulhavam dentro dele como uma sopa fervendo num fogão. Uns eram tristes, com pena da solidão de Leslie. Mas havia também uns pedaços de felicidade. Poder ser seu único amigo inteiro no mundo (como ela era para ele) dava-lhe uma enorme alegria — não podia deixar de se sentir satisfeito com isso. 

Sobre o autor

Bruno Luiz Mattos Oliveira
Bruno Luiz Mattos Oliveira

Nasceu em 1990 e mora em Cariacica (ES). É empreendedor, técnico em informática, formado em Sistemas de Informações e autor do livro No Encontro de Uma Constante. Não dispensa um bom rock.

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