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Como eu comentei no vídeo sobre a conclusão da Maratona Literária #EuSouDoideira, sou fã de narrativas epistolares – em formato de cartas ou e-mails – e estava sentindo falta de um romance tão bom quanto Querida Sue, da Editora Arqueiro, desde que terminei Emmi & Leo, do autor Daniel Glattauer.

Em Querida Sue, conheceremos Elspeth Dunn, uma jovem poetisa de 24 anos, que nunca colocou os pés fora da pequena Ilha de Skye, na Escócia, onde mora e é casada com o melhor amigo de seu irmão; e David Graham, um jovem estudante de medicina da América, que vive com os pais e odeia a vida que leva, principalmente por não se encaixar na carreira.

capitulo

A vida seguia seu próprio e pacato rumo, até que Elspeth recebe a primeira carta de um fã, David. A partir de então, eles começam a trocar correspondências, compartilhando histórias e segredos, revelando um pouco mais de si ao outro, tornando-se amigos e confidentes. E, da amizade vem o amor…

Não bastassem as situações particulares de cada um, E. vê seu marido e seu “amante” (ainda que à distância nesse momento) irem para a Primeira Guerra Mundial. Sem poder fazer nada para impedir, ela se vê sozinha e agarrada à esperança de um dia finalmente encontrar seu verdadeiro amor.

E você, caro leitor, pensa que isso é tudo? Pois bem, não é. A autora foi genial ao conseguir entrelaçar duas histórias em um romance só. Vinte e três anos depois, estamos na Segunda Guerra. Elspeth já é mãe e vê sua filha, Margaret, se apaixonar por Paul, um piloto da Força Aerea Real. Um filme passa em sua mente e ela adverte a filha sobre os perigos que um amor de guerra pode causar… Mas, como já cantava Renato Russo, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, né?

trecho carta

Duas guerras, dois amores.Querida Sue é um livro sobre esperança, amor e sonhos; sobre ser quem você deseja ser e sobre encontrar o amor verdadeiro, ainda que do outro lado do mundo, ainda que o tempo e a distância possam atrapalhar o (re)encontro, fazendo com que os medos de um passado e de um futuro perdido tomem conta.

Querida Sue tem narrativa epistolar e, ainda por cima, através de quatro pontos de vista diferentes: Elspeth, David, Margaret e Paul. Jessica Brockmole consegue dar voz às quatro personagens de maneira muito verossímil, nos fazendo sentir as emoções pelas quais eles vivem, nos conectando de tal maneira à elas que é impossível não se envolver e torcer para que tudo dê certo no final.

A construção da história, o desenvolvimento das personagens e a fluidez temporal através das guerras foram simplesmente perfeitas. Brockmole consegue nos fisgar e nos fazer pensar. Ela faz com que nos apaixonemos – pela primeira vez ou novamente – com seu romance entre guerras.

Como eu já comentei, é impossível não torcer para um desfecho romântico e fofo. Tanto E. quanto D. se encontram por causa da guerra, se tornam melhores por conta dela. Apesar dos pesares, a guerra serviu para que eles dessem o grito de liberdade que tanto necessitavam e que, finalmente, descobrissem o que era amar.

capa querida sue

Portanto, este livro não é só mais um com capa bonita, bem diagramado, que salta aos olhos quando o vemos na livraria. Ele é mais, bem mais do que isso… Normalmente, as pessoas têm um certo pré-conceito em relação à histórias narradas através de cartas, diários ou outros do gênero. Muitos têm, na verdade, dificuldade para se conectar ao enredo, às personagens, acham tudo muito vago ou chato.

Mas, posso afirmar que Querida Sue é mágico e capaz de acabar com essa crença negativa. Leitura mais do que recomendada para os amantes da literatura epistolar e mais do que indicada para aqueles que ainda não tiveram a chance de experimentar esse tipo de narrativa, simples e tão tangível.

Querida Sue é lírico, fascinante e apaixonante. 

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