REPENSAR “MULHER”

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Confesso, uma vontade surgiu dentro de mim em escrever sobre e no dia Internacional da Mulher, entretanto, roubando um pouco das frases de efeito da minha mãe, lanço um questionamento: Todo dia não deveria ser 8 de março?

É incrível como no dia 8 recebemos parabéns por sermos mulher, entretanto, O QUE É SER MULHER? Não estou caminhando para um debate sobre gênero – apesar de ser impossível de fugir sobre essa questão – mas, vamos tentar construir um exercício que envolve o imaginário e estereótipos que mais nos machucam do que nos definem.

O dia 8 de março de 2018 foi marcante para mim. Não estive envolvida no ceio maternal no qual sou acostumada a receber flores ou estar dentro da igreja no qual anuncia que a “mulher saiba edifica o seu lar”. Não, não estou atacando minha família ou a igreja por tais concepções, isto envolve o imaginário da mulher ser protetora e ao mesmo tempo sendo aquela encarregada de manter sua casa em ordem. O que marcou esse ano foi não estar no meu lar, mas na baixada fluminense – localidade marcada no Rio de Janeiro pelo grande índice de violência doméstica e em uma cidade universitária que acabou dando origem ao movimento Me Avisa Quando Chegar denunciando a violência sexual, psicológica e verbal sofrida pelas mulheres dentro do campus.

Caminhar pelas ruas e ouvir o locutor da farmácia anunciando que era “O dia do homem ser mandado pela mulher”, poderia soar em outros momentos como uma grande piada ou até mesmo ver o Mc Donalds anunciando estar operando no dia 08 de março com uma equipe cem por cento feminina. Porém, todos esses pequenos detalhes me levaram a questionar: O que é ser mulher?

Em algum momento da vida somos colocados em frente do espelho e não nos identificados com aquilo que nos é proposto pela sociedade. Para mim, constantemente tentavam empurrar a imagem de uma mulher dedicada, mãe, feminina, romântica e super-mulher, enquanto por outro lado buscam apagar minha independência e a minha voz, geralmente isto vem acompanhado com a concepção de que sou “barraqueira e masculina”. Entretanto, mulher é apenas aquela quem é delicada? Se faz necessário lembrar que as flores mantêm espinhos para proteção.

É importante compreender que não rejeito a delicadeza ou ser mãe, mas é urgente que compreendam que tudo tem o seu tempo. Uma mulher não se resume pelo relacionamento que assume com um homem, especialmente quando utilizam a frase “por trás de um grande homem, existe uma grande mulher” não é atrás e sim ao lado. Buscamos ser companheiras, buscamos por companheiros que nos motivem e não nos desqualifiquem por pensarmos em uma carreira profissional.

Olho ao meu redor e vejo quantas mulheres recaem o mito da super-mulher. Elas são? SÃO SIM! Porém, se sentem culpadas por não suportarem o julgo de uma casa, casamento, filhos, trabalho e além de tudo manter a aparência fenomenal. Chega um momento em que a máscara vai acabar caindo e vai ser necessário perceber que a “mulher” não é um robô e sim um ser humano. Então vamos chegar ao ponto fundamental de tudo o que desejo dizer para vocês:

É urgente a necessidade de repensar “mulher”. Repensar os estereótipos que recaem sobre nós a partir de uma imagem construída por exemplo de um comercial de absorvente. Que tudo bem falharmos, não vamos ser péssimas mulheres por isso. Não existe NADA de negativo em pedirmos socorro quando a temática é criança. Não existe nada de péssimo em priorizar a vida profissional ao invés da amorosa. Ser mulher não se encontra em uma perspectiva de feminina, delicada, dócil. Isto anda longe de definir aquilo que constantemente temos tentado provar através de nossas lutas. É necessário lembrar que ser mulher pode envolver ser sim uma super-mulher, mas pode ao mesmo tempo não corresponder a todos os rótulos que tentam nos empurrar. Ser mulher é muito complexo. É tudo e ao mesmo tempo nada, então quem pode definir “O que é mulher” para mim?!

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