Sobre o Agente Literário, por Bárbara Morais

Oi, gente! 🙂 O post vai ser um pouquinho diferente dessa vez. Perguntei à Bárbara Morais, autora de A Ilha dos Dissidentes (você pode ler a resenha aqui), se ela topava escrever um post para a coluna. Ela aceitou o convite e resolveu falar sobre o trabalho do agente literário. Eu amei descobrir mais sobre o assunto e espero que vocês também gostem. E lembrem-se de comentar no final, hein! 😉

Oláá, leitores.

Hoje a Anna pediu para eu vir aqui conversar com vocês e aceitei com prazer. Para quem não me conhece: eu sou a Bárbara Morais, também conhecida como Bell, autora de A Ilha dos Dissidentes. Estou aqui para falar um pouquinho sobre uma figura mágica para escritores: o agente literário.

Desde que publiquei AIDD, em Agosto, várias pessoas me perguntam sobre o processo de publicação e sempre respondo com muita alegria. Eu realmente acredito que o mercado brasileiro está em expansão para autores nacionais e é esse o momento de agarrar a oportunidade. Para isso, os escritores devem procurar se profissionalizar. Sempre digo que conhecimento do mercado editorial é fundamental para quem quer publicar um livro e espero que esse texto ajude um pouco.

Agentes literários são bem comuns em outros países – nos Estados Unidos, por exemplo, as editoras não aceitam livros se não forem representados por um agente. Os agentes agem como intermediários entre o autor e a editora, cuidando dos detalhes mais técnicos, enquanto o autor se preocupa em escrever e editar o livro. Contrato, divulgação, cobrar presença em livrarias, eventos… tudo isso é responsabilidade do agente.

Mas, vamos do começo. Um agente, assim como uma editora, escolhe os autores com quem vai trabalhar. O primeiro contato com o profissional é para apresentar autor e obra, e, caso haja interesse, é bem provável que o agente peça seu livro. É muito importante prestar atenção nas regras de submissão. Essa dica vale tanto para quem quer ir atrás de um agente quanto para quem busca uma editora de publicação tradicional! Se você enviar um livro de fantasia para um agente ou para uma editora que só trabalha com auto-ajuda, obviamente seu livro nem vai ser lido. Se uma editora não aceita livros em PDF e você envia seu livro em PDF, eles não vão ler seu livro. O ponto aqui é o seguinte: um agente escolhe com quem trabalha. Ele vai querer autores que têm potencial e histórias com as quais prefere trabalhar.

Ok, depois que você arruma um agente, há a segunda parte: arrumar o texto. Eu acho que não existe nenhum livro que não precise de nenhum tipo de edição ou preparação e, normalmente, o agente faz uma leitura crítica do texto, sugerindo modificações, dando sugestões na história, uma revisão. Esse trabalho, claro, é feito junto com o autor e visa melhorar o texto antes de enviá-lo para a análise das editoras. É muito importante ter em mente que praticamente todos os livros sofrerão modificações até chegar na sua versão final.

Texto pronto, o agente vai partir para a parte mais demorada: abordar editoras. Cada agente tem seu método, mas o principal diferencial de contar com esse profissional é que ele tem uma abordagem mais direta e precisa. Você não é mais um livro numa pilha de dezenas de milhares de livros, você é um autor que passou por uma triagem anterior. Se seu agente já é conhecido da editora, se já vendeu livros para ela, é claro que a editora vai ter interesse em ler a próxima novidade que ele apresentar, né? Facilita muito nesse processo!

Depois que você tem uma editora (e, lembrando, isso normalmente não é fácil nem rápido!), o agente te auxilia com o contrato, negociando cláusulas e tudo o mais, e, depois, serve como ponte entre você e a editora. Como um profissional que trabalha no mercado editorial, o agente sabe mais do que o autor sobre as questões legais, de direitos autorais e todos esses detalhes.

O pagamento do agente geralmente só acontece depois que o autor recebe pela publicação, o que assegura que ele fará o melhor serviço para que a obra venda e dê certo. Apesar disso, alguns agentes cobram por serviços individuais, como leitura crítica, ou cobram alguma parte com antecedência. Isso deve ser negociado ANTES de se iniciar o trabalho. Existem poucos agentes no Brasil hoje e já ouvi algumas histórias de pessoas que se passavam por agentes para dar golpes em autores, então atenção! Sempre tente fazer uma pesquisa sobre os profissionais, suas carreiras e seus autores agenciados antes de fechar uma parceria.

No Brasil, a agência mais famosa é a Agência Riff, que além de representar várias editoras internacionais por aqui, também representa autores nacionais como o Ariano Suassuna, Lya Luft e Carol Sabar! A minha agente é a Gui Liaga, que também é agente da Babi Dewet, da Iris Figueiredo e da Dayse Dantas. Também conheço a C! House, que é a agência da Bianca Briones.

Para quem se interessou sobre essa figura editorial e pensou “Nossa, deve ser legal fazer isso!”, não existe curso superior para ser agente literário. Se quiser seguir carreira, precisa estudar o máximo possível sobre o mercado editorial, direitos autorais, marketing e português, além de ter um bom tino para descobrir novos talentos e bons contatos. Tudo isso é construído com o tempo!

Eu espero ter dado uma perspectiva interessante sobre o assunto para vocês. Se tiverem dúvidas, podem perguntar nos comentários que respondo.

Beijos!

Sobre o autor

Anna Oliveira
Anna Oliveira

Cristã, formada em Marketing e em Gestão de Projetos. Escreve todos os dias, é apaixonada pela língua portuguesa e não vive sem o Duke, um vira-lata ciumento.

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